quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ambientalistas veem oportunidades na verticalização das cidades


Para minimizar os efeitos desse processo que aumenta o aquecimento global, os ambientalistas apresentam conceitos como prédios verdes e jardins verticais. O assunto foi discutido em Conferência, com participação de alunos do Fábrica Verde.


Alunos do Fábrica Verde participaram da 9ª Conferência Produção Mais Limpa, realizada no Memorial da América Latina. Os estudantes aproveitaram o evento para divulgar o trabalho, vender mudas de flores e folhagens e, principalmente, trocar experiências com outros empreendedores sociais sobre novos nichos de mercado abertos pela verticalização das cidades e a necessidade dos seres vivos de conviver e desfrutar de áreas verdes.

A verticalização das cidades é um processo urbanístico progressivo, que consiste na construção de edifícios monumentais, provocando o aumento do aquecimento global. Para os ambientalistas, os efeitos desse processo podem ser minimizados com o crescimento planejado ao lado de conceitos como prédios verdes e jardins verticais. Para tanto, já existem demandas de profissionais, mas falta mão-de-obra especializada.


Empregos

Para a gestora responsável pelo setor de expansão de rede da empresa Quadro Vivo, Cristina Figueiredo, é muito difícil encontrar jardineiros com experiência em paisagismo vertical. “A maior parte dos jardineiros só domina a técnica de jardinagem horizontal. Quando encontramos quem sabe o básico, fornecemos treinamento para o exercício desse trabalho de maneira diferenciada, incluindo a jardinagem aliada às técnicas de rapel”, explica Cristina.

O ambientalista, fundador da ONG Amigos das Árvores de São Paulo e mestre em Botânica na Universidade de São Paulo, Ricardo Henrique Cardim, cita a falta de qualificação dos jardineiros para explicar o não-preenchimento das vagas existentes no setor. “A tecnologia SkyGarden para telhados verdes e jardins elevados está no seu avançado solo, que reproduz em poucos centímetros a fertilidade de metros de terra, sendo conhecido no Japão como o solo dos sonhos, e pode ser vendida em sacos de 40 litros, práticos de serem instalados. A maior dificuldade é encontrar profissionais do verde especializados no plantio e na manutenção dos mais diversos tipos de plantas”, afirma Cardim.


Planos

Os irmãos Jane Duarte, 49 anos, e Adaljiro José Duarte, 55 anos, alunos do Programa Fábrica Verde, têm em comum a paixão pelo verde e meio ambiente e o fato de estarem desempregados. Os irmãos, juntamente com a amiga Maria Teresa Caeiro, formaram um grupo e estão organizando uma pequena loja de ervas e produtos medicinais. Durante a conferência, tomaram conhecimento de novos mercados, como os jardins verticais e os prédios verdes, e planejam aperfeiçoar conhecimentos sobre o tema.

“Sem muitas pretensões, fiquei sabendo do programa e resolvi fazer minha inscrição. Quando as aulas começaram, minha surpresa foi muito grande. Fiquei impressionada com a quantidade de informação e toda a parte prática. Então, eu e meu irmão, que sempre tivemos o hobby de cultivar plantas em casa, estamos nos organizando juntamente com outra amiga do curso para montar um negócio. Agora planejamos nos aperfeiçoar em paisagismo e aproveitar os novos mercados”, conta Jane.

O engenheiro-agrônomo Wagner Novais explica que a participação dos alunos em seminários, conferências, feiras e eventos serve de base para que possam buscar oportunidades de trabalho, apreender a organizar pequenos grupos de empreendedores ou cooperativas e dessa forma continuar caminhando sozinhos após o curso. O professor diz que o interesse dos alunos pode levar o curso também para novos caminhos e ainda nesta edição será acrescentado às aulas um capítulo sobre os telhados verdes e jardins verticais.

“A participação em eventos desse porte faz parte do conteúdo programático, composto por aulas teóricas e práticas, que os alunos de jardinagem realizam durante todo o curso. As vivências permitem aos futuros profissionais do verde a oportunidade de adquirir experiências essenciais para a segunda etapa da formação dos jardineiros, que é a elaboração de projetos de empreendedorismo. Além disso, os aprendizes são capacitados para atuarem na produção de compostos orgânicos”, explicou Novais.

O programa, que já está na quarta edição, tem duração de um ano, sendo que os seis primeiros meses são de capacitação e incubação do empreendedorismo (com bolsa-auxílio) e os outros seis de acompanhamento e apoio ao empreendimento em formalização (sem bolsa), período em que os beneficiários terão apoio técnico e capacitação para fortalecer o empreendimento.

Parte do Programa Operação Trabalho, a ação atende pessoas com idade mínima de 18 anos, sem emprego há mais de quatro meses, sem Seguro Desemprego, cuja renda familiar seja de até meio salário mínimo (por pessoa), e seja residente no município de São Paulo há mais de um ano.


Prefeitura de SP

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